Sabe, é bem verdade que pensar muito enlouquece. Eu não recomendo que você o faça, a menos que já esteja como eu. Aliás, o que seria a loucura afinal? Não se encaixar nessa realidade e viver uma paralela? Porque, bem, eu me encaixo. Encaixo-me nisso de não me encaixar.
Andei delirando sobre o surgimento da ironia. Em meu devaneio, ela nasceu de um profundo desprezo pela comunicação. Procure entender: Não é como se desprezassem a palavra pela qual se comunica, mas como se repudiasse a necessidade de fazê-lo.
Isso acontece quando a sua crítica àquilo que foi dito é tão forte e óbvia pra você, que a única forma de fazê-la sem deixar que soe banal é fazendo com que as palavras digam o contrário dos seus pensamentos. E o mais interessante é que aquilo que era pra representar a vontade de não ter precisado dizer uma palavra, foi entendido como uma das muitas formas de linguagem!
Mas isso faz de nós bons intérpretes dos símbolos da linguística ou maus entendedores?
Será o hábito de traduzir os sentimentos, ânsias, impulsos e vontades em conjuntos de letras sinal de que não os entendemos bem ou de que perdemos a capacidade de nos expressar sem palavras?
Sinceramente, caro companheiro de devaneio, eu ainda não decidi que rumo devo tomar para terminar essa discussão. Encontro-me com os dedos travados, incapazes de prosseguir e expressar uma opinião da qual não tenho absoluta certeza. Ou melhor dizendo, da qual não tenho certeza alguma.
Peço desculpas por não poder responder as minhas próprias perguntas, mas que mal lhe pergunte, já teve a sensação de que saudade, por exemplo, é uma palavra pequena demais pra demonstrar todo o sentimento?
segunda-feira, 30 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Palavras novas melhorariam textos como esse.
Percebi nesses últimos dias que sou bastante consumista. Felizmente, ou talvez nem tanto, pro bem do mundo, ou talvez nem tanto... enfim... Seja como for, meu consumismo se resume as palavras. Notei-me vasculhando toda e qualquer coisa que me sirva de fonte a procura daquelas, ainda muitas, desconhecidas por mim.
Essa minha necessidade de novos significados, certamente está relacionada a uma outra, a qual já mencionei outras vezes: a necessidade que eu tenho de me expressar. Tento fazer o melhor que posso unindo todas as formas de expressão que eu encontro, mas ainda sim não me sinto satisfeita. Sobra sempre muita falta. Falta de significado, de significância.
Nosso íntimo é complexo demais para que a gente possa se dar ao luxo de querer que algum outro ser desvende nossos mistérios.
Por que não traduzir juntando letrinha por letrinha?
Para que "coisar" a vida tentando vivê-la como um conto de fadas?
(Ou seria mais certo chamar de faz-de-conta?)
É claro que toda forma de comunicação é valida. O corpo, as mãos, os olhos... Eles também tem seu papel. O problema é que tem gente sobrecarregando esses meios e esquecendo de nossa grande porta de saída de informações. Exit. Xô. Deixem que as palavras saiam pela boca e vejam o quão mais leve a comunicação será.
Todo bom conhecedor de palavras conhece o prazer de analisar cada conjunto de letras ao passo que são ditas. Todo bicho-do-mato seria surpreendido se fosse mostrado o quanto é dito mesmo quando é dito tão pouco. E é tão importante!
Eu preciso dizer muito. Sempre. Eu preciso de novos conjuntos de significados. Eu sou uma eterna amante das palavras e agradeceria se cada pessoa me apresentasse uma nova parceria.
Eu preciso dizer muito. Sempre. Eu preciso de novos conjuntos de significados. Eu sou uma eterna amante das palavras e agradeceria se cada pessoa me apresentasse uma nova parceria.
sábado, 14 de abril de 2012
Entender é uma questão de sentir.
O que eu sinto é puro.
Eu não o quero como minha posse, apesar de adorar que ele queira ser. O meu querer é de não possuir. É o simples querer de estar à mercê.
Eu poderia ser qualquer coisa que ele quisesse de mim só pra vê-lo feliz.
Eu não posso negar nada a quem merece tudo, posso?
Ninguém nega o céu aos anjos e pássaros.
E eu não posso amarrar suas asas. Nem quero. Eu quero a feroz liberdade de sua natureza me fazendo feliz. Como fez até hoje. Como ainda fará.
Soa estranho eu dizer que não o quero. Eu o quero talvez não mais que tudo, mas mais que muito.
Mas quando digo que o quero livre, falo do seu espírito. É seu espírito que nunca deve ser aprisionado. Quem olhar pros seus olhos quando ele sorri solto, entenderá.
Ou talvez não. Talvez precise de certo tato pra sentir aquela luz. Mas eu vejo. E brilha. Reluz.
Eu amo aquela criatura de tantas formas diferentes que talvez seja incondicional. Porque, bem, eu amo aquela existência. Eu admiro. É belo e simples.
Porque, também, aquela luz me iluminou. De dentro pra fora e extravasou pelos olhos.
Porque eu tenho muitos ‘porquês’ pra isso.
E talvez, eu tenha ‘talvez’ o bastante pra responder os ‘porquês’ incertos. Mas não consigo dizer exatamente o que se passa porque o que eu sinto é puro.
Puro sentimento. Pura alma.
E completo.
(Escrito em 06/01/2012)
sábado, 17 de março de 2012
Já pensou no que você quer levar pro seu futuro?
Não? Eu andei pensando. E tem uma série de coisas de que eu não abro mão.
Eu me entrego constantemente aos meus pensamentos e tento extrair o máximo de informação de mim. É assim que exploro o vasto território do meu ser, me conheço e reconheço. Reconheço que preciso disso. Ainda mais agora, que estou numa fase boba de transição que me mete certo medo. Medo de que eu veja que não me conheço tanto assim. É complicada essa coisa da aborrecência de ter que saber - ou aprender na marra - a escolher. Nossas grandes escolhas começam agora e a minha questão, no momento, é o que eu quero levar comigo pra sempre. Escutei por aí que o que a gente leva da vida é o que faz o que somos, e eu quero levar o que de melhor chegou pra mim.
Já falei uma vez de uma caixinha onde eu guardo presentes. Pensando agora, percebo que muitos deles eu quero levar não só em pensamento, mas também fisicamente. Esses presentes só têm o peso de um sorriso: Sempre terei lugar pra eles. É o caso de um anel amarelo-notinha-fiscal, de uma flor de papel dada a mim por um estranho e de uma lembrança esboçada num pedaço de papel. Sinto-me menos humana, mais divina por dar valor a esses significados. Quero dizer, não eu, mas a parte sentimental da coisa, sabe? Isso é nobre. Escolho isso.
Escolho também essa coisa de ser um pouco minha mãe, de aprender que "os brutos também amam" com meu pai e que mesmo aquelas pessoas, irmã, que não sabem como demonstrar, têm um amor imenso por dentro. E que existem pessoas e sonhos pelos quais vale a pena transpor qualquer barreira e que é importante que se mostre e faça e demonstre todas as vezes que tiver vontade, porque agora eu sei que a oportunidade passa.
Sei? Sei o que? Nunca me sinto segura ao fazer essa afirmação.
Sei? Sei o que? Nunca me sinto segura ao fazer essa afirmação.
Por isso, eu escolho deixar tudo aquilo que é sensação. É tão primordial, sujeita a tantas mudanças... Na bagagem só quero tudo o que, quando eu lembrar, me faça sorrir ou chorar. O sorriso e a lágrima provocados pela lembrança são indicações de que a eternidade chegou àquele instante. Eu quero um futuro sólido, de certezas. E o que é mais seguro do que aquilo gravado no interior de nós mesmos?
segunda-feira, 5 de março de 2012
Sede da liberdade.
Eu descobri que tenho necessidade de liberdade. Mas não é aquela liberdade que te é concedida por alguém, ou a prevista, a que todos têm, ou aquela que se pode invejar. Necessito daquela liberdade que é cedida por nós e para nós mesmos.
Sabe aquela coisa de que só temos a cara de quem somos quando estamos sozinhos? Eu quase concordo. Quase. Pra mim, entra aí a questão de que quando estamos sozinhos, ficamos sem vergonha, despudorados, livres de qualquer amarra que possa nos prender aos nossos receios. Mas nossos receios também nos caracterizam.
Essa necessidade de estar livre de mim tem me perseguido, até mesmo, dentro do aconchego do meu quarto, que é até bastante meu. Por que, né?! Parei pra pensar nisso. Eu não cheguei a nenhuma conclusão imediatamente. Pelo contrário. Isso ficou me espetando por muito tempo sem eu saber de onde vinham aquelas espetadinhas. Mas aí eu comecei a lembrar de fragmentos de coisas passadas e, o que no início não fez muito sentido pra mim, por fim me mostrou a origem das espetadas.
A primeira coisa que me veio a cabeça foi minha mãe me dizendo pra eu tomar cuidado por estar só de lingerie, porque meu pai poderia ver. Lembrei também de ter visto um móvel antigo e dizer pra minha mãe que o queria e que ia pintar de amarelo... Lembro da expressão que ela fez com tom de reprovação. Lembro das roupas que ela me disse serem estranhas e dos quadros que eu não queria pendurar e tive que fazer.
Essas pequenas liberdades que foram tiradas de mim eram as liberdades que eu queria me conceder. E quero agora.
Essas pequenas liberdades que foram tiradas de mim eram as liberdades que eu queria me conceder. E quero agora.
Papai e Mamãe que me perdoem: Não vejo a hora de criar minha sede da liberdade. No mundo real, é só um pequeno apartamento com uma banheira, cama desfeita, geladeira cheia de chocolates, um móvel colorido, uma mesa de café com marca de copo, livro na cabeceira e eu. Eu com muito mais possibilidade de "sim" do que "não".
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Ou não.
Eu acho que deveria escrever um livro. Nada de histórias. Poesias ou prosas muito menos. Não que não faça meu tipo de leitura. É exatamente o caso contrário: Gosto tanto e já vi tanto que não acho que haja muito mais para ser dito. De qualquer forma, torço para que discordem de mim e escrevam muito ainda, para que eu possa sustentar minha compulsão. Isso mesmo, compulsão. Não que eu não goste disso… É só que eu não saboreio os livros. Eu os disseco; Extraio tudo que posso o mais rápido possível pra poder começar outro e repetir o ritual.
Mas, o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, que eu deveria escrever um livro. Um em que eu colocasse todas as minhas teorias e conclusões sobre as coisas do meu dia-a-dia. Eu sou virginiana, muito observadora e gosto de filosofia, o que sempre resulta em, bem, não posso dizer textos porque nunca ou quase nunca anoto, mas sim que resulta em reflexões estupidamente detalhadas. Então, mesmo com a pouca qualidade da minha escrita, eu teria bastante coisa pra encher linguiça. Seria algo parecido com um diário, o que eu sempre quis ter e nunca tive realmente, mas de um velho dramaturgo de quem foi tirado quase tudo e só lhe restou pensar, divagar, voltar ao pensamento e por fim, escrever.
Seria, portanto, algo bastante esquisito, pra falar o mínimo. Consegue imaginar uma adolescente no auge de sua aborrecência dando uma de analista e examinando cada cena, cada ato, cada sentimento mostrado, incluindo seus próprios? Parece loucura e, se eu não fosse eu mesma, já estaria preocupada, mas posso garantir que essa coisa de pensar-demais-sobre me traz benefícios algumas vezes. Por exemplo, eu conheço as pessoas que estão por perto mais do que elas imaginam e também costumo ter bastante confiança nos meus julgamentos, opiniões e achismos. Vai ver por isso meus pais me acham madura o bastante pra tomar minhas decisões e eu tenha tanta liberdade… Aliás, é engraçado que eu tenha tanta liberdade e não me “aproveite” enquanto tem gente se rebelando pela falta dela e, exatamente por isso, acabe ainda mais distante.
Mas vamos voltar ao fato de eu ter muitas reflexões ao invés de falar de algumas delas.
Como toda garota, boa ou não, tanto faz, também tenho meus pensamentos de faz-de-conta. E tá aí uma coisa que acrescentaria certa interessância ao meu diário… É… Quis dizer livro… Ao meu livro: Um pouco do meu conto de fadas contemporâneo. Nele, meu faz-de-conta entraria interrompendo os assuntos chatos e divagações entediantes, que é o que acontece realmente. O mais legal é que cada um interpretaria de um jeito e a minha verdade permaneceria visível só pra mim. Só não falo do cara porque eu prefiro essa parte bastante real.
Se eu acabasse por escrever um livro de verdade, eu pediria aos meus amigos para não lerem nem sequer uma página. Algumas pessoas acabariam percebendo que nem sempre eu dou alguma atenção ao que elas estão falando, que eu só percebo a boca se mexendo e fico ali por pura consideração até que elas terminem e eu diga algo que feche o assunto.
Mas eu jamais escreveria um livro mostrando como eu penso, o que eu penso, como me perco no meio das minhas próprias reflexões e, se Deus existe, Ele sabe e não faz mal falar, como consigo me perder e entrar num faz-de-conta até no meio de uma oração. Eu já faço da minha vida um livro aberto. Com algumas tarjas de censura, é verdade. Mas todo mundo precisa de um aconchego, e meu paraíso perdido é dentro de mim. Eu deveria escrever esse livro e deixar fechado. Finalmente eu teria meu querido diário.
Mas, o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, que eu deveria escrever um livro. Um em que eu colocasse todas as minhas teorias e conclusões sobre as coisas do meu dia-a-dia. Eu sou virginiana, muito observadora e gosto de filosofia, o que sempre resulta em, bem, não posso dizer textos porque nunca ou quase nunca anoto, mas sim que resulta em reflexões estupidamente detalhadas. Então, mesmo com a pouca qualidade da minha escrita, eu teria bastante coisa pra encher linguiça. Seria algo parecido com um diário, o que eu sempre quis ter e nunca tive realmente, mas de um velho dramaturgo de quem foi tirado quase tudo e só lhe restou pensar, divagar, voltar ao pensamento e por fim, escrever.
Seria, portanto, algo bastante esquisito, pra falar o mínimo. Consegue imaginar uma adolescente no auge de sua aborrecência dando uma de analista e examinando cada cena, cada ato, cada sentimento mostrado, incluindo seus próprios? Parece loucura e, se eu não fosse eu mesma, já estaria preocupada, mas posso garantir que essa coisa de pensar-demais-sobre me traz benefícios algumas vezes. Por exemplo, eu conheço as pessoas que estão por perto mais do que elas imaginam e também costumo ter bastante confiança nos meus julgamentos, opiniões e achismos. Vai ver por isso meus pais me acham madura o bastante pra tomar minhas decisões e eu tenha tanta liberdade… Aliás, é engraçado que eu tenha tanta liberdade e não me “aproveite” enquanto tem gente se rebelando pela falta dela e, exatamente por isso, acabe ainda mais distante.
Mas vamos voltar ao fato de eu ter muitas reflexões ao invés de falar de algumas delas.
Como toda garota, boa ou não, tanto faz, também tenho meus pensamentos de faz-de-conta. E tá aí uma coisa que acrescentaria certa interessância ao meu diário… É… Quis dizer livro… Ao meu livro: Um pouco do meu conto de fadas contemporâneo. Nele, meu faz-de-conta entraria interrompendo os assuntos chatos e divagações entediantes, que é o que acontece realmente. O mais legal é que cada um interpretaria de um jeito e a minha verdade permaneceria visível só pra mim. Só não falo do cara porque eu prefiro essa parte bastante real.
Se eu acabasse por escrever um livro de verdade, eu pediria aos meus amigos para não lerem nem sequer uma página. Algumas pessoas acabariam percebendo que nem sempre eu dou alguma atenção ao que elas estão falando, que eu só percebo a boca se mexendo e fico ali por pura consideração até que elas terminem e eu diga algo que feche o assunto.
Mas eu jamais escreveria um livro mostrando como eu penso, o que eu penso, como me perco no meio das minhas próprias reflexões e, se Deus existe, Ele sabe e não faz mal falar, como consigo me perder e entrar num faz-de-conta até no meio de uma oração. Eu já faço da minha vida um livro aberto. Com algumas tarjas de censura, é verdade. Mas todo mundo precisa de um aconchego, e meu paraíso perdido é dentro de mim. Eu deveria escrever esse livro e deixar fechado. Finalmente eu teria meu querido diário.
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